Burn - Capítulo 1


Às vezes há aviões dos quais não posso pular
Às vezes há mentiras que não funcionam
Agora somos os deuses das histórias, mas me diga
O que há, então, para reclamarmos?
Oh esta tem que ser uma vida boa

Sarah On

Acordei com medo e assustada. Olhei para o lado e não encontrei a janela que sempre irradiava os primeiros raios de sol do dia. Mudei de direção e vi que ali não era minha casa. A mobília estava distribuída de forma diferente em comparação ao meu quarto que passei dezesseis anos de minha vida. Havia um sofá do lado direito da cama ao invés de um criado mudo. Ele agora se localizava ao lado oposto do de costume, e logo mais a frente uma cortina em tom claro que provavelmente, pelo seu tamanho, escondia uma janela com vidros próximos ao chão, até perto ao teto que agora tinha um lustre muito bonito e esplendoroso. Havia uma mesa na quina entre o meu armário e a janela. O quarto era bem espaçoso e tinha uma cor arroxeada em uma de suas paredes, que correspondia a da cabeceira da cama. Ainda meio sonolenta, levei minha mão até o criado mudo procurando meu celular.
Contrariamente, minhas mãos tocaram em uma moldura e logo em vidro de forma quadrada, um porta-retrato. Peguei-o firmemente e observei os rostos que haviam sido fotografados e permaneciam atrás do vidro que protegia a foto de ser danificada. De acordo com minha visão que estava se adaptando cada vez mais a luminosidade que os raios de sol emanavam pela cortina fina e sedosa. Um rosto era o meu e o outro... Era da pessoa que eu sentia um turbilhão de coisas por ela. Um rapaz, meu amigo de todas as horas, um ombro amigo para chorar. Meu companheiro de festas e viagens. Sinceramente eu o amava, porém não existia nenhum hipótese de que este sentimento fosse reciproco. Vários momentos surgiram em minha mente no momento mais impróprio para isto, me dando cada vez mais desejo de voltar para a casa e o colo de minha mãe, que afagaria meus cabelos carinhosamente.
Sentei na cama meio atordoada e ainda era possível sentir o cansaço em meus membros. Coloquei delicadamente o porta-retrato em seu lugar de origem, mas desta vez tampando nossos rostos, com o vido para baixo. Nada se comparava a confusão que se formava em minha cabeça, só precisava de um tempo para esquecer o garoto da foto, que me traziam lembranças importunas a minha situação. Minhas mãos esconderam meu rosto, meus olhos instintivamente se fecharam e inspirei o ar, logo soltando-o pesadamente e tirando a mão de minha face, me levantando da cama macia. Caminhei até chegar próximas as cortinas, as quais eu abri deixando a mostra a divina paisagem da cidade Luz. Puxei as fitas que haviam em meu roupão -de ceda fina e cor neutra- que se localizavam perto a cintura e as amarrei em um laço. Abri a grande janela, e adentrando o espaço da varanda, me dando um privilegiada visão de como era bela a cidade em que eu estou. Apoiei meus cotovelos na grade emoldurada que indicava o término da varanda e para a proteção dos indivíduos. Senti a brisa delicada tocar meus braços e rosto. Fechei meus olhos apenas para sentir o contato de minha pele com o vento. Tão prazeroso que poderia ficar ali por muito tempo e me esquecer de meus afazeres, todos sendo levados.
Voltei para dentro do quarto fechando somente as cortinas e vendo-as balançar. Aos poucos me lembrei dos últimos fatos que acontecera exatamente na noite passada. Muitas coisas envolvidas nisso, brigas, acidente, infelicidade e uma nova vida.
Paris, cidade luz, do amor e paixão. Ótimo lugar para uma nova vida. Havia passado por altos e baixos no último ano, não era mais possível adequar minha vida novamente. Estava prestes a iniciar o Ensino Médio, porém o acidente me interrompeu e fiquei parada sem rumo, a mercê das obras do destino. Queria que ele acordasse e pudêssemos consertar tudo. Esperei o máximo de tempo possível, já estava na hora de eu tomar uma direção para minha vida e foi isso que fiz. Vim para cá, meus pais irão me bancar com o apartamento e a universidade até encontrar um emprego e puder me sustentar sozinha.
Não tenho expectativas de que ele me procure ou peça noticias minhas aos meus pais. Ele não irá mais se lembrar de mim.

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Hey, primeiro capítulo. O que acharam? Continuo? 
Espero que gostem e comentem
Jana

5 comentários:

  1. Thanks Jana :-P se prepara que hoje tem xx Harry

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  2. Muito bom! Paris, doce Paris, é um ótimo lugar! Continua ♡♥☆

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